O Banco Central da África do Sul (SARB, na sigla em inglês) decidiu, ontem, manter a taxa básica de juro em 7% ao ano, numa altura marcada pela incerteza provocada pela escalada do conflito no Médio Oriente, pela subida dos preços do petróleo e pelos riscos acrescidos para a inflação.
Num comunicado assinado pelo governador da instituição, Lesetja Kganyago, o SARB afirmou que o conflito no Médio Oriente entrou numa “nova e volátil fase”, destacando as oscilações registadas no tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz nas últimas semanas.
O banco central salientou ainda que o preço do petróleo, que tinha recuado para cerca de 70 dólares por barril no início do mês, voltou a subir para aproximadamente 90 dólares, aumentando os riscos sobre os custos de transporte, a actividade económica e a inflação.
Segundo o SARB, a guerra afectou as cadeias globais de abastecimento e reduziu o rendimento das famílias, embora parte desses efeitos tenha sido compensada pelo forte ciclo de investimentos em Inteligência Artificial (IA).
Na economia sul-africana, a autoridade monetária observou que o crescimento registado no primeiro trimestre se aproximou dos 2% em termos homólogos, superando as expectativas. Contudo, o desempenho foi impulsionado sobretudo pelas exportações, e não pela procura interna.
O SARB prevê uma desaceleração da actividade económica no segundo e terceiro trimestres, devido ao impacto do aumento dos preços dos combustíveis sobre o consumo, à incerteza em torno dos investimentos e aos problemas estruturais enfrentados pelos municípios.
A instituição acredita num regresso gradual do crescimento na segunda metade do ano, à medida que o impacto do choque externo diminua.
No que diz respeito à inflação, o banco central afirmou que os indicadores recentes se mantiveram “bem acima da meta”, principalmente devido à subida dos preços dos combustíveis. A previsão é de que a inflação permaneça acima dos 4% até ao início do próximo ano.
A autoridade monetária alertou igualmente para o aumento das expectativas inflacionistas entre as famílias, as empresas e os sindicatos.
Perante este cenário, o Comité de Política Monetária considerou que a actual orientação da política monetária continua “apropriada”, mantendo a taxa de juro num nível “moderadamente restritivo”.
Fonte: Jornal de Brasília

