Mais de 2.600 licenciados em enfermagem e obstetrícia reprovaram no exame nacional obrigatório para o exercício da profissão na Namíbia desde a introdução da avaliação, em Janeiro de 2025, levantando preocupações quanto à qualidade da formação ministrada pelas instituições de ensino da área da saúde.
Os dados foram apresentados recentemente pelos Conselhos das Profissões de Saúde da Namíbia (HPCNA) ao Comité Permanente de Educação do Parlamento e abrangem as sessões de avaliação realizadas desde que o exame passou a ser obrigatório para enfermeiros e parteiras formados no país.
Segundo as estatísticas divulgadas, dos 5.427 candidatos avaliados, 2.743 obtiveram aprovação, enquanto 2.683 reprovaram. O número de reprovações inclui igualmente candidatos que faltaram ao exame e foram automaticamente considerados reprovados.
Entre os candidatos da área da enfermagem e obstetrícia, dos 1.523 previstos para a avaliação, apenas 600 obtiveram aprovação. Outros 60 não compareceram ao exame, elevando o total de reprovações para 923, o equivalente a uma taxa de insucesso de 61%.
Já entre os enfermeiros avaliados ao longo de seis sessões de exame, 1.984 foram aprovados e 1.820 reprovaram, correspondendo a uma taxa de aprovação de 51% e de reprovação de 49%.
Parlamento considera resultados preocupantes
A presidente do Comité Permanente de Educação, Marlyn Mbakera, considerou os resultados alarmantes e defendeu uma análise aprofundada à qualidade da formação ministrada pelas instituições de ensino da saúde.
«É um número preocupante. Precisamos de questionar que tipo de profissionais estamos a formar. Se um estudante conclui a formação, mas não consegue passar na avaliação do HPCNA, devemos questionar a qualidade do ensino que está a ser ministrado», afirmou.
O comité solicitou ao HPCNA dados detalhados por instituição de ensino, com o objectivo de identificar as escolas que apresentam melhores e piores resultados.
Mbakera esclareceu, contudo, que a intenção não é encerrar instituições, mas contribuir para a melhoria dos padrões de formação.
Dificuldades na prática profissional
Durante a apresentação, o HPCNA informou que a sessão de avaliação realizada em Junho de 2025 registou o maior número de reprovações.
De acordo com o relatório, muitos candidatos revelaram dificuldades nas componentes de ética profissional e prática clínica, onde a média obtida foi de apenas 30%.
Os resultados registaram melhorias nas avaliações realizadas em Outubro de 2025 e Março de 2026, períodos em que a maioria dos candidatos da área da enfermagem conseguiu aprovação.
Apesar dessa evolução, os candidatos em enfermagem e obstetrícia continuaram a evidenciar dificuldades na componente geral das ciências de enfermagem, com uma média de desempenho de apenas 35%.
Sindicato defende revisão da formação
A União dos Enfermeiros da Namíbia (Nanu) classificou a elevada taxa de reprovação como «muito preocupante» e defendeu uma revisão dos métodos de preparação dos estudantes.
O secretário-geral da organização, Junias Shilunga, afirmou que o país precisa de garantir a formação de profissionais altamente qualificados.
Segundo o dirigente sindical, a existência de currículos distintos entre as instituições de ensino poderá estar a dificultar o desempenho dos candidatos no exame nacional.
«Todas as instituições de formação em enfermagem devem adoptar um currículo nacional alinhado com os padrões exigidos», defendeu.
Shilunga questionou igualmente os critérios utilizados na elaboração dos exames e apelou a uma maior participação de avaliadores provenientes de diferentes instituições, de forma a assegurar maior equilíbrio e transparência no processo.
O responsável sindical apontou ainda os custos associados à avaliação, como as taxas de inscrição, transporte e alojamento, como factores que poderão afectar alguns candidatos, sobretudo os que necessitam de se deslocar à capital, Windhoek.
Qualidade deve prevalecer sobre a quantidade
A avaliação nacional tornou-se obrigatória em Janeiro de 2025 para todos os licenciados em enfermagem e obstetrícia formados no país antes do respectivo registo profissional.
A medida foi criada com o objectivo de garantir que apenas profissionais devidamente qualificados ingressem no sistema nacional de saúde.
Dados do relatório anual do HPCNA relativo ao período 2024/2025 indicam que os enfermeiros continuam a constituir o maior grupo de profissionais de saúde da Namíbia, com 13.856 inscritos, representando cerca de 57% dos 24.142 profissionais de saúde registados no país.
O especialista em questões laborais Herbert Jauch defendeu uma revisão urgente do sistema de formação, mas advertiu que a solução não deverá passar pela redução dos padrões de qualidade.
Segundo Jauch, a Namíbia, a par da África do Sul, possui uma longa tradição na formação de enfermeiros altamente qualificados, cujas competências são reconhecidas a nível internacional.
Nesta revisão foram também corrigidas algumas questões de terminologia e estilo, nomeadamente a substituição de “chumbam” por “reprovam” (mais adequado ao registo jornalístico), “levantando preocupações sobre” por “levantando preocupações quanto à”, a uniformização de Comité (em vez de “comité”), a melhoria da coesão entre parágrafos e a eliminação de repetições, preservando integralmente a informação da notícia.
By: The Namibian

