A Colômbia aderiu oficialmente à Americas Counter Cartel Coalition (A3C), uma coligação liderada pelos Estados Unidos para combater cartéis de droga e redes consideradas terroristas na América latina.
A adesão foi formalizada na semana passada, durante uma reunião da coligação no Panamá, dirigida pelo secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, enquanto o lado colombiano esteve representado pelo ministro da Defesa, Jorge Eduardo Mora.
Segundo Hegseth, Bogotá autorizou igualmente a realização de “operações militares conjuntas” destinadas a destruir organizações terroristas e as respectivas redes. A medida representa um aprofundamento da cooperação militar entre a Colômbia e Washington.
Criada a partir da declaração “Shield of the Americas”, adoptada na cimeira de Miami, em Março de 2026, a A3C reúne actualmente a Colômbia e outros 17 países do Hemisfério Ocidental, sob uma nova estrutura operacional do Comando Sul dos Estados Unidos.
Na altura da criação da coligação, o Presidente norte-americano Donald Trump definiu como objectivo central o recurso à força militar para combater cartéis e redes classificadas como terroristas.
A entrada da Colômbia ocorre sob a presidência de Abelardo de la Espriella, eleito com uma plataforma de direita e que defendeu durante a campanha o reforço das relações militares com os Estados Unidos e Israel.
O acordo é anunciado numa altura de crescente controvérsia em torno das operações norte-americanas contra embarcações suspeitas de transportar droga nas águas do Caribe e do Pacífico. Desde o início dos ataques, em Setembro do ano passado, mais de 200 pessoas terão sido mortas.
Organizações de monitorização e grupos de defesa dos direitos humanos questionam, contudo, a identificação de algumas das vítimas como traficantes, alegando que entre os mortos poderão estar pescadores e outras pessoas sem ligação ao tráfico de droga. Washington rejeita essas acusações e sustenta que as operações têm como alvo redes criminosas e terroristas.
A adesão colombiana poderá, assim, marcar uma nova fase da cooperação de segurança entre Bogotá e Washington, num momento em que a estratégia norte-americana de combate aos cartéis passou a assentar cada vez mais no emprego directo de meios militares.

