Quando conquistou a independência do Reino Unido, em 1966, o Botsuana era considerado um dos países mais pobres do mundo. Dispunha de infra-estruturas extremamente precárias, com apenas 12 quilómetros de estradas asfaltadas, escolas de fraca qualidade, nenhuma universidade e um sistema de saúde muito limitado, além de reduzidas perspectivas de desenvolvimento.
Seis décadas depois, a realidade é bem diferente. O Botsuana consolidou-se como uma das economias mais prósperas de África e apresenta um dos mais elevados rendimentos per capita do continente, sendo frequentemente apontado como um exemplo de desenvolvimento económico, estabilidade política e boa governação.
Especialistas atribuem esta transformação à adopção de políticas orientadas para a estabilidade macroeconómica, ao incentivo à iniciativa privada, ao respeito pela propriedade privada, à disciplina fiscal e à criação de um ambiente favorável ao investimento.
O país apostou igualmente na simplificação dos procedimentos administrativos, na melhoria do ambiente de negócios e na promoção do empreendedorismo, factores que contribuíram para a criação de emprego e para a competitividade da economia.
Outro elemento determinante foi o combate à corrupção. Desde os primeiros anos da independência, o Botsuana construiu uma reputação assente na transparência, na boa governação e na solidez das suas instituições, reduzindo os riscos para os investidores e reforçando a confiança na economia.
Em simultâneo, o Estado aumentou os investimentos na educação e na formação profissional, contribuindo para a qualificação da mão-de-obra e para um crescimento económico sustentado ao longo das últimas décadas.
Diamantes impulsionaram o desenvolvimento
Poucos anos após a independência, foram descobertas importantes reservas de diamantes através de parcerias entre o Governo e empresas do sector mineiro. A exploração deste recurso transformou-se rapidamente num dos principais motores da economia nacional.
Ao contrário do que aconteceu em vários países ricos em recursos naturais, o Botsuana canalizou uma parte significativa das receitas provenientes dos diamantes para investimentos em infra-estruturas, educação, saúde e desenvolvimento social.
A gestão prudente desses recursos, aliada ao combate à corrupção e à estabilidade política, permitiu ao país registar várias décadas de crescimento económico contínuo, melhorar os principais indicadores sociais e elevar significativamente a qualidade de vida da população.
Apesar dos desafios que ainda persistem — nomeadamente a diversificação da economia, a criação de emprego e a redução das desigualdades sociais —, o Botsuana continua a ser citado por economistas e organismos internacionais como um exemplo de que instituições sólidas, boa governação e investimento no capital humano constituem pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável de um país.
Fonte: Universal

