31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Reportagem SADC

Delta do Okavango: o oásis que cresce no deserto do Kalahari

Descrito por astronautas como um dos fenómenos naturais mais improváveis da Terra, o Delta do Okavango estende-se por cerca de 15 mil quilómetros quadrados no coração do deserto do Kalahari, transformando o Botsuana num labirinto vivo de canais, ilhas e áreas alagadas.
O que torna este sistema tão singular é o facto de não desaguar no mar.

Em vez de seguir o percurso típico dos grandes rios do mundo, o Okavango espalha-se pelo interior do continente, formando um delta interior onde as águas se distribuem por canais, lagoas, pântanos e planícies alagadas. A UNESCO classifica-o como um grande delta de baixa inclinação, um dos raros sistemas do género sem ligação directa ao oceano.

Cresce durante a estação seca

Segundo a NASA Earth Observatory, a água que alimenta o delta nasce nas terras altas de Angola e percorre centenas de quilómetros antes de chegar ao Botsuana. Esse longo percurso provoca um fenómeno invulgar: o pico das cheias ocorre justamente durante a estação seca, quando a paisagem circundante enfrenta o período de maior escassez de água. Este comportamento faz do Okavango um sistema altamente dinâmico. A água avança lentamente pelos canais e depressões naturais, alimenta florestas e zonas húmidas e, por fim, desaparece sem nunca alcançar o mar.

Área inundada ultrapassa os 15 mil km² De acordo com a UNESCO, a área classificada como Património Mundial inclui cerca de 600 mil hectares de zonas húmidas permanentes e até 1,2 milhões de hectares de áreas sazonalmente inundadas. No conjunto, estas áreas podem ultrapassar os 18 mil quilómetros quadrados durante os períodos de maior inundação. A expansão do delta não ocorre de forma uniforme. Os canais alteram o seu curso, novas ilhas surgem enquanto outras desaparecem, e os espelhos de água avançam ou recuam de acordo com o ritmo natural das cheias.

Quase toda a água desaparece antes de chegar ao mar Segundo a NASA, a maior parte da água que entra no delta perde-se por evaporação, infiltração no solo e absorção pela vegetação. Apenas uma pequena fracção consegue deixar o sistema, caracterizando o Okavango como um exemplo clássico de drenagem interna. Vista do espaço revela cenário impressionante

As imagens divulgadas pela NASA mostram o delta como uma complexa rede de canais, ilhas e áreas verdes envolvidas pelos tons castanhos e dourados do deserto do Kalahari. O contraste entre a água e a paisagem árida evidencia a singularidade deste ecossistema, considerado um dos maiores tesouros naturais de África e um dos fenómenos geográficos mais fascinantes observados a partir do espaço.


Fonte: Click Petroleo e Gas

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