O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reafirmou o apoio de Ancara às “necessidades urgentes” da Ucrânia, incluindo o fornecimento de ajuda militar, ao mesmo tempo que sublinhou a importância de manter abertos os canais de diálogo com a Rússia.
A posição foi expressa durante a cimeira da NATO, que decorre esta semana em Ancara, e reflecte o delicado equilíbrio geopolítico que a Turquia tem procurado manter desde o início da invasão russa da Ucrânia, há mais de quatro anos.
Erdogan, anfitrião dos líderes dos 32 Estados-membros da Aliança Atlântica, tem procurado afirmar-se como mediador entre Kiev e Moscovo. Se, por um lado, Ancara continua a defender a integridade territorial da Ucrânia, por outro mantém uma relação pragmática com a Rússia, recusando aderir às sanções impostas pelos países ocidentais e preservando as importações de petróleo e gás russos.
À margem da cimeira, o chefe de Estado turco reuniu-se com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que procura reforçar o apoio militar dos aliados, nomeadamente através do fornecimento de novos sistemas de defesa antiaérea e armamento, perante a intensificação dos ataques russos. A Turquia continua a ser considerada um parceiro estratégico de Kiev, tendo fornecido drones Bayraktar e outro equipamento militar, ao mesmo tempo que mantém uma posição firme em defesa da soberania ucraniana.
Em paralelo, Erdogan continua a cultivar uma relação próxima com o Presidente russo, Vladimir Putin, a quem já se referiu como “querido amigo”. Ancara tem procurado afirmar-se como um canal privilegiado de diálogo entre Moscovo e o Ocidente, numa altura em que as relações entre ambas as partes atravessam o período de maior tensão desde a Guerra Fria.
Também durante a cimeira, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, anunciou contratos no valor de “dezenas de milhares de milhões de dólares” destinados ao reforço das capacidades de defesa da Aliança. “O zumbido das máquinas tem de se transformar num rugido”, afirmou, apelando ao aumento da produção militar para responder às actuais ameaças.
Neste contexto, a indústria de defesa turca, reconhecida pela capacidade de produzir equipamento militar de forma mais rápida e a custos mais reduzidos do que muitos fabricantes ocidentais, surge como uma das principais beneficiárias do actual esforço de rearmamento da NATO.

