Os Estados Unidos continuam a fornecer gratuitamente à Ucrânia informações de inteligência utilizadas para preparar ataques contra posições militares russas e infra-estruturas energéticas dentro da Rússia, segundo uma investigação da revista The Atlantic, que cita fontes norte-americanas e ucranianas.
De acordo com a publicação, Washington fornece a Kiev pacotes de informação destinados a identificar alvos e apoiar operações de ataque, incluindo contra instalações do sector energético russo. A assistência mantém-se mesmo num contexto de redução de outras formas de apoio norte-americano à Ucrânia.
A The Atlantic atribui parte importante da continuidade desta cooperação ao director da CIA, John Ratcliffe, que terá conseguido convencer o Presidente Donald Trump a manter a partilha de informações. A publicação refere que Ratcliffe apresenta regularmente a Trump dados sobre as perdas russas no campo de batalha, procurando demonstrar que a Ucrânia continua a obter resultados militares.
A revelação surge num momento em que os ataques ucranianos de longo alcance contra refinarias, depósitos de combustível e outras infra-estruturas energéticas russas ganharam importância na estratégia de Kiev. O fornecimento de inteligência norte-americana poderá aumentar a capacidade ucraniana para identificar alvos no interior do território russo, elevando também os riscos de uma escalada directa entre Washington e Moscovo.
A informação divulgada pela The Atlantic coloca assim em evidência uma dimensão menos visível do apoio norte-americano à Ucrânia: mesmo com mudanças na política de assistência militar de Washington, a partilha de inteligência continua a desempenhar um papel central nas operações ucranianas contra a Rússia.

