A inflação anual na África do Sul recuou para 4,3% em Julho, contra 5% em Junho, registando a primeira descida em cinco meses e ficando abaixo das expectativas dos analistas. A desaceleração foi impulsionada, sobretudo, pela queda dos preços dos combustíveis, depois de a inflação ter atingido em Junho o nível mais elevado dos últimos dois anos.
A evolução representa um alívio para as famílias e para o banco central sul-africano, depois de uma sequência de aumentos da inflação que levou o Banco de Reserva da África do Sul (SARB) a manter a taxa directora em 7% na sua reunião de Julho. O crescimento dos preços também foi contido pela desaceleração da inflação alimentar e por aumentos mais moderados das tarifas municipais.
O recuo dos custos de transporte teve um peso particularmente importante no resultado de Julho. A inflação deste grupo caiu de 12,7% em Junho para 8,9%, reflectindo a redução dos preços dos combustíveis. A subida mensal do índice de preços no consumidor também abrandou, passando de 0,7% em Junho para 0,2% em Julho.
Apesar da melhoria, o cenário para os próximos meses permanece incerto. O alívio provocado pela descida dos combustíveis poderá ser temporário, uma vez que a intensificação das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão voltou a pressionar os mercados internacionais de energia. O petróleo Brent aproximou-se dos 92 dólares por barril esta semana, atingindo o nível mais elevado desde finais de Julho.
A evolução dos preços do petróleo constitui um risco particularmente relevante para a África do Sul, que depende das importações de energia e cuja inflação foi fortemente afectada pelo aumento dos custos dos combustíveis no primeiro semestre. O próprio SARB advertiu em Julho que os preços do petróleo tinham voltado a subir depois de uma breve descida e estimou que a inflação poderia permanecer acima de 4% até ao início de 2027.
A descida de Julho surge depois de a inflação ter acelerado de forma consecutiva nos meses anteriores. Em Junho, o índice de preços no consumidor subiu para 5%, contra 4,5% em Maio, ultrapassando o limite superior da margem de tolerância do novo objectivo de inflação do banco central. A subida foi atribuída sobretudo ao aumento dos custos de transporte e dos combustíveis.
A actual meta do SARB é manter a inflação em 3%, com uma margem de tolerância de um ponto percentual para cada lado. O novo objectivo foi adoptado depois de a autoridade monetária ter abandonado a anterior referência de 4,5%, numa estratégia destinada a aproximar a inflação sul-africana dos níveis observados nas principais economias e a criar condições para taxas de juro estruturalmente mais baixas.
Para já, a descida para 4,3% reduz a pressão sobre a política monetária, mas não elimina os riscos. O comportamento do petróleo, a evolução do rand e a possibilidade de os custos de energia voltarem a repercutir-se nos preços dos alimentos e de outros bens serão determinantes para saber se a desaceleração de Julho representa o início de uma tendência ou apenas uma pausa no ciclo de subida da inflação.

