31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Cultura

Literatura angolana volta a destacar-se em Joanesburgo com prémios para Henrique Sungo e Beni Dya Mbaxi

A literatura angolana voltou a conquistar reconhecimento internacional com a distinção dos escritores e cineastas Henrique Sungo e Beni Dya Mbaxi na edição de 2026 dos African Honoree Global Author’s Awards, realizada na passada sexta-feira, 31 de Julho, em Joanesburgo, África do Sul.

A cerimónia teve lugar no Norscot Manor Recreation Centre, em Fourways, reunindo autores de vários países africanos para celebrar a excelência da produção literária no continente.

Esta não é a primeira vez que os dois criadores angolanos são distinguidos pela organização. Em 2021, Henrique Sungo e Beni Dya Mbaxi já haviam recebido o mesmo reconhecimento e, cinco anos depois, regressam ao grupo dos premiados com obras traduzidas para inglês, reforçando a projecção internacional da literatura produzida em Angola.

Henrique Sungo foi premiado pela obra My Clothes, My Roots, um livro bilingue, em português e inglês, que valoriza a identidade cultural africana através da história de Malaika, uma menina de Gaborone apaixonada por vestuário de inspiração africana.

Ao longo da narrativa, a protagonista embarca numa viagem de descoberta por diferentes trajes, tradições e costumes de vários povos do continente, numa obra dirigida ao público infantil que incentiva a reflexão sobre cultura, educação e identidade.

Beni Dya Mbaxi foi distinguido com Blood Chains, versão inglesa do romance Palesa no Inferno.

A obra acompanha a história de uma adolescente angolana de 14 anos que é raptada e levada para um local marcado pela violência e pelo sofrimento. Nesse cenário, encontra dezenas de homens e mulheres submetidos a um regime desumano, onde são tratados como portadores de doenças mentais sem qualquer diagnóstico clínico.

A narrativa denuncia graves violações dos direitos humanos, injustiças sociais e abusos de poder, utilizando a história de Palesa para retratar realidades que continuam a afectar inúmeras vítimas em diferentes partes do mundo.

A dupla distinção de Henrique Sungo e Beni Dya Mbaxi confirma o crescente reconhecimento da literatura angolana além-fronteiras e demonstra a capacidade das obras nacionais para conquistar novos leitores, ultrapassando barreiras linguísticas e culturais.

O prémio reforça igualmente a afirmação de Angola no panorama literário africano e internacional, projectando a riqueza das suas histórias, da sua cultura e da sua identidade junto de um público cada vez mais vasto.

Fonte: Polo de Notícias

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