31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Destaque SADC

Milhares de migrantes fogem das terras de Mandela após onda de violência xenófoba

Milhares de migrantes estão a abandonar a África do Sul na sequência de uma nova vaga de violência e tensão xenófoba que se tem registado em várias regiões do país. Em Durban, uma das principais cidades costeiras, a situação agravou-se nos últimos dias, com estabelecimentos comerciais encerrados e ruas praticamente desertas.

Grupos que lideram os protestos contra a imigração deram aos estrangeiros em situação irregular um ultimato para abandonarem o país até 30 de Junho, aumentando o receio de novos confrontos e ataques.

Durante as manifestações, milhares de pessoas desfilaram pelas ruas ao som de palavras de ordem como “Abahambe!” (embora!”, em isi-zulu), empunhando paus e outros objectos. Os protestos alastraram a várias localidades e intensificaram um clima de hostilidade que, nas últimas semanas, tem afectado sobretudo cidadãos estrangeiros.

De acordo com a imprensa internacional, mais de 25 mil pessoas já terão sido repatriadas com o apoio dos governos dos respectivos países de origem. Muitas famílias abandonaram as suas casas por receio da violência, procurando abrigo em acampamentos improvisados ou aguardando transporte para regressarem aos seus países.

Em Pietermaritzburg, a cerca de 80 quilómetros de Durban, centenas de migrantes permaneceram durante vários dias em condições precárias, na sequência de episódios de violência que incluíram agressões e mortes de cidadãos estrangeiros.

Vários migrantes afirmam ter perdido o emprego, a habitação e os seus meios de subsistência devido ao agravamento da situação. Outros dizem ter sido ameaçados e obrigados a abandonar as suas casas. “Agora não tenho planos; só quero voltar para casa e viver em segurança”, afirmou uma das vítimas, citada pela reportagem.

Especialistas e organizações de defesa dos direitos humanos consideram que a vaga de xenofobia está ligada ao elevado desemprego, à desigualdade social e às dificuldades na gestão dos fluxos migratórios. Estima-se que a África do Sul acolha cerca de 2,4 milhões de cidadãos estrangeiros, entre residentes em situação regular e irregular.

Entretanto, o Governo sul-africano reforçou as operações de combate à imigração irregular e aumentou o dispositivo policial nas zonas mais afectadas, numa tentativa de evitar novos episódios de violência. O Presidente Cyril Ramaphosa reuniu-se com representantes dos manifestantes e apelou ao fim da violência e da chamada «justiça pelas próprias mãos».

A África do Sul já foi palco de graves episódios de violência xenófoba em 2008 e 2015, que provocaram dezenas de mortos e obrigaram milhares de migrantes a abandonar as suas casas.

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