O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou sanções contra dirigentes de grupos armados que actuam no leste da República Democrática do Congo (RDC), incluindo responsáveis da coligação rebelde AFC/M23, acusada pela ONU e por vários países ocidentais de receber apoio do Ruanda, e das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR), grupo que combate ao lado do exército congolês.
As medidas foram adoptadas na quinta-feira por uma comissão do Conselho de Segurança responsável pela supervisão do embargo de armas imposto à RDC, que acrescentou seis indivíduos e duas entidades à lista de sancionados. Entre os visados figuram Corneille Nangaa, líder da Aliança do Rio Congo (AFC), que integra o movimento M23, John Imani Nzenze, chefe dos serviços de informações do M23, e Gustave Kubwayo, comandante das FDLR.
O conflito no leste da RDC tem origem nas consequências do genocídio de 1994, no vizinho Ruanda, e voltou a intensificar-se no último ano, depois de o grupo rebelde AFC/M23 ter conquistado vastas áreas daquela região congolesa. As Nações Unidas e vários governos ocidentais sustentam que o movimento recebe apoio de Kigali, acusação rejeitada pelas autoridades ruandesas.
As sanções impostas pela ONU incluem um embargo de armas, a proibição de viagens internacionais e o congelamento de bens dos indivíduos e entidades abrangidos pelas medidas. John Imani Nzenze e Gustave Kubwayo já tinham sido alvo de sanções dos Estados Unidos no mês passado, sob a acusação de contribuírem para o agravamento do conflito, apesar dos esforços diplomáticos em curso, incluindo iniciativas de mediação lideradas por Washington.
A decisão surge num momento de crescente pressão internacional para travar a violência no leste da RDC, onde os confrontos entre grupos armados, forças governamentais e actores regionais continuam a provocar instabilidade, deslocações massivas de população e uma grave crise humanitária.

