A Namíbia está a consolidar-se como um dos destinos mais atractivos para o investimento petrolífero em África, enquanto a África do Sul continua a enfrentar obstáculos regulatórios e judiciais que atrasam o desenvolvimento dos seus projectos na Bacia do Orange, uma área rica em recursos energéticos partilhada pelos dois países.
Segundo a Reuters, a Namíbia prevê iniciar a produção de petróleo em 2030, através do projecto Venus, liderado pela TotalEnergies, com uma produção inicial estimada em cerca de 150 mil barris por dia. As sucessivas descobertas offshore registadas desde 2022, incluindo uma nova descoberta anunciada pela Shell em Junho deste ano, reforçaram a confiança dos investidores e colocaram o país entre os mercados petrolíferos mais promissores do continente.
Em contrapartida, a África do Sul, apesar de deter cerca de dois terços da extensão da Bacia do Orange, continua sem alcançar descobertas comerciais de dimensão semelhante. Desde 2021, vários processos judiciais, recursos administrativos e a oposição de organizações ambientalistas e comunidades costeiras têm contribuído para o adiamento de diversos projectos de exploração.
De acordo com a Offshore Petroleum Association of South Africa, a obtenção de uma licença de exploração pode demorar até cinco anos no país, enquanto noutros mercados africanos o processo é concluído em poucos meses. A morosidade regulatória tem sido apontada pelas empresas como um dos principais factores que comprometem a atracção de novos investimentos.
A evolução distinta dos dois países demonstra que o potencial petrolífero, por si só, não garante o desenvolvimento da indústria. Especialistas defendem que regras claras, segurança jurídica, processos de licenciamento eficientes e o respeito pelas comunidades e pelo ambiente são determinantes para transformar os recursos naturais em crescimento económico sustentável.
Fonte: www.oeconomico.com

