Angola está a apostar na formação de quadros nacionais em tecnologias de ponta, incluindo robótica e construção de drones, com o objectivo de criar condições para uma futura produção destes equipamentos no país. A iniciativa envolve a Câmara de Comércio Americana em Angola (AMCHAM), instituições de ensino e parceiros tecnológicos estrangeiros.
O projecto vai além da utilização de drones. A norte-americana Liberty University manifestou interesse em desenvolver cursos e projectos ligados à robótica e construção de drones em Angola, tendo sido seleccionados o Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC) e a Luanda Tech. A iniciativa conta ainda com o envolvimento do Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda.
A formação poderá preparar jovens angolanos para áreas como engenharia, programação, sistemas autónomos e desenvolvimento de equipamentos, criando uma base de conhecimento necessária para a instalação de uma futura capacidade de produção nacional. Em paralelo, parceiros nigerianos da Terra Industries já manifestaram disponibilidade para formar jovens angolanos numa unidade de produção de drones na Nigéria, abrindo a possibilidade de transferência de conhecimento e tecnologia.
O presidente da AMCHAM, Pedro Godinho, avançou que Angola deverá produzir drones nos próximos tempos, destinados a sectores como agricultura, mineração, petróleo e gás, investigação e outros domínios. A aposta poderá permitir ao país passar gradualmente de consumidor de equipamentos importados para produtor de tecnologia, com potencial para responder ao mercado nacional e, no futuro, a outros países africanos.
O principal desafio será transformar os programas de formação e as parcerias tecnológicas em capacidade industrial efectiva, garantindo infra-estruturas, financiamento, mão-de-obra especializada e um quadro regulatório adequado para o desenvolvimento de uma indústria nacional de drones.

