31 de Agosto, 2026
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UNAIDS apela aos EUA para reconsiderarem redução do financiamento ao VIH/SIDA na África do Sul

A directora executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (UNAIDS), Winnie Byanyima, manifestou preocupação com a decisão dos Estados Unidos de reduzirem progressivamente o financiamento destinado ao combate ao VIH/SIDA na África do Sul, alertando que a medida poderá colocar em risco milhares de vidas no país que alberga a maior população seropositiva do mundo.

Falando numa conferência de imprensa das Nações Unidas, realizada antes da reunião de alto nível sobre VIH/SIDA, Byanyima apelou a Washington para reconsiderar a decisão e advertiu que os cortes na ajuda internacional ameaçam comprometer décadas de progressos alcançados no combate à doença.

A reacção surge depois de o Departamento de Estado norte-americano anunciar o início de uma retirada faseada do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Combate à SIDA (PEPFAR) na África do Sul. Em comunicado, Washington justificou a decisão com a alegada falta de “progressos demonstráveis” por parte de Pretória relativamente a exigências políticas formuladas pela administração norte-americana.

Os Estados Unidos sublinharam ainda que o PEPFAR nunca foi concebido como um programa permanente e defenderam que a África do Sul, enquanto país de rendimento intermédio, possui capacidade para financiar os seus próprios programas de saúde.

Segundo a publicação Semafor, citando um responsável do Departamento de Estado e dois assessores do Congresso norte-americano, a decisão estará relacionada com a recusa de Pretória em satisfazer exigências de Washington, nomeadamente a redução da cooperação com o Irão, o fim das políticas de promoção económica da população negra e a adopção de medidas contra o cântico anti-apartheid “Kill the Boer”.

“Estou triste com esta decisão. Retirar este apoio significa retirar assistência que salva vidas às pessoas mais vulneráveis. Peço aos Estados Unidos que reconsiderem a sua posição”, afirmou Winnie Byanyima.

África do Sul depende em parte do apoio norte-americano

Embora a África do Sul financie a aquisição dos medicamentos antirretrovirais, o programa PEPFAR disponibiliza mais de 400 milhões de dólares por ano ao país e assegurava o pagamento dos salários de cerca de 15 mil profissionais de saúde.

De acordo com a responsável da UNAIDS, a África do Sul alberga aproximadamente oito milhões de pessoas que vivem com o HIV, o número mais elevado do mundo, sendo que o programa norte-americano representava até 17% do financiamento total da resposta nacional à epidemia.

A directora da agência das Nações Unidas mostrou-se igualmente preocupada com a redução global da ajuda ao desenvolvimento por parte dos doadores tradicionais da Europa e da América do Norte, defendendo uma transição gradual em vez de cortes abruptos. “Não retirem os recursos, porque isso significa retirar vidas. Deve existir uma transição planeada”, sublinhou.

Progressos em risco

A comunidade internacional estabeleceu como meta acabar com a SIDA enquanto ameaça para a saúde pública até 2030. Segundo a UNAIDS, dos cerca de 40 milhões de pessoas que vivem com o HIV em todo o mundo, 32,1 milhões recebem actualmente tratamento.

Contudo, cerca de nove milhões de pessoas continuam sem acesso à terapêutica e, só no ano passado, registaram-se 1,2 milhões de novas infecções.

Byanyima alertou que os recentes cortes no financiamento internacional já estão a afectar os serviços de saúde em vários países, apontando para uma redução de 22% nos testes de despistagem do HIV em países de elevada prevalência e, em alguns casos, para uma queda de 90% na distribuição de preservativos.

“Estamos a observar os primeiros sinais de graves retrocessos nos progressos alcançados. A tendência descendente que vínhamos a registar pode inverter-se e voltar a subir”, advertiu.

A África Austral continua a ser uma das regiões mais afectadas pela epidemia do HIV/SIDA, o que torna particularmente sensíveis às alterações no financiamento internacional destinado aos programas de prevenção, tratamento e acompanhamento dos doentes.

Fonte: CNBC Africa

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