A Unitel, maior operadora de telecomunicações de Angola, deu início esta semana ao processo de Oferta Pública Inicial (OPV) de uma participação de 15% do seu capital social na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).
O movimento visa testar a confiança dos investidores nas reformas económicas do Governo. A operação, que decorre até ao dia 24 de Julho, disponibiliza 7,5 milhões de acções, das quais 1 milhão estão reservadas para os trabalhadores da empresa.
O preço por acção varia entre 36.036 e 40.040 kwanzas, e a negociação na BODIVA está prevista para ter início a 29 de Julho.
O Estado angolano prevê arrecadar cerca de 300 mil milhões de kwanzas com esta venda, o que a torna a maior oferta pública já realizada no país, superando a do Banco Angolano de Investimento (BAI) em 2022.
Esta OPV insere-se no Programa de Privatizações (PROPRIV) e representa um marco significativo para o mercado de capitais angolano, até agora dominado por empresas do sector financeiro. A Unitel será a primeira empresa do sector das telecomunicações a cotar-se na BODIVA.
Com mais de 21 milhões de clientes e uma presença nacional, a operadora é uma das marcas mais reconhecidas do país.
O processo marca também o fim de um capítulo conturbado na história da empresa. A Unitel fez parte do império empresarial de Isabel dos Santos, filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, que detinha uma participação de 25% na operadora através da Vidatel.
Em 2022, no âmbito de uma campanha anticorrupção do actual Presidente, João Lourenço, o Estado angolano nacionalizou as acções da empresária.
Isabel dos Santos, que já foi considerada a mulher mais rica de África, perdeu em 2024 um recurso no Tribunal Superior de Londres contra o congelamento de activos no âmbito de uma acção judicial movida pela Unitel.
Para além do sector das telecomunicações, a Unitel detém uma participação maioritária no Banco de Fomento Angola (BFA), o que confere a esta OPV uma relevância acrescida para o sistema financeiro nacional.
O sucesso da operação será visto como um importante indicador da maturidade do mercado de capitais angolano e da confiança dos investidores na direcção tomada pela economia do país.
Fonte: Business Insider África

