Nenhum povo, nenhuma nação desenvolveu ou enfrentou os seus problemas internos sem ajuda de terceiros. Quer estejamos a falar de ajuda nos conflitos armados, quer na mão de obra para diferentes empreitadas propensas à prosperidade.
Acções xenófoba violam os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas sobre a convivência e cooperação entre os povos. Claro que transpor as fronteiras de um país que não o nosso, obedece a cumprimentos de um conjunto de pressupostos migratórios.
O que acontece na África do Sul não deve ser aplaudido nem tampouco compreendido em pleno Século XXI. Aliás não estando distante a década de 60, que marcou as independências dos países de continente, não se devia perder a memória do apoio que, na sua luta, cada povo recebeu de outro.
No caso particular de Angola, nunca a sua História será contada sem referência a Brazzaville, Dar- es-Salan e de outros que se solidarizaram à sua causa na luta pela auto-determinação.
A África do Sul, último país do continente a alcançar a independência, contou com o suporte de muitos países, sendo um dos quais Angola, onde inclusive estava baseado o seu “Estado Maior”.
Tudo isso passou para o esquecimento. Hoje, o angolano é violentado e escorraçado, sem dó nem piedade, num país que ajudou a libertar. Poucos sabiam que a ingratidão teria este tamanho.
Curioso é que o governo soube tomar uma posição imediata, para conter os ânimos, talvez longe de perceber que o quadro ameaça a estabilidade sócio-económica e a confiança dos investidores internacionais.
A União Africana (UA) procura promover a integração e o livre comércio, mas a xenofobia cria barreiras ao desenvolvimento e mancha os princípios pan-africanos de solidariedade. Nesta perspectiva, a África do Sul caminha em sentido contrário.
Fonte: António Panzo

