O Campeonato do Mundo de futebol, que decorre nos Estados Unidos, México e Canadá acaba de tirar Cabo Verde da sombra do anonimato aos píncaros da fama. O arquipélago nunca foi falado como depois dos quatro jogos da sua selecção.
Os Tubarões Azuis foram das selecçoes africanas mais brilhantes na prova, tendo impressionado logo na estreia em que logrou um fantástico empate diante da Espanha. Seguiram-se outros empates com Uruguai e Arábia Saudita.

Não carimbou nenhuma vitória, mas os seus resultados sabem à vitórias, pela exibição, sobretudo se tratando de um ilustre estranho e mais do que isso de um estreante na prova, e que teve a desdita de pelo capricho do sorteio ficar num grupo de pesos pesados.
A safra da fase de grupos permitiu a qualificação para os 16 avos-de-final. A Argentina saiu da roleta da sorte como adversário. Entretanto, não era mais que o detentor do título, e que integra no plantel um activo com o nome de Messi.
À partida, para a esmagadora maioria, o fim estava definido. Mas os Tubarões Azuis entraram para o jogo como se fossem eles os campeões e em busca de revalidação do título: ousados e destemidos, causando um tremendo susto ao verdadeiro campeão que, em algum momento, receou o descalabro.
Pois a equipa respondia, à letra, todas as investidas da Argentina. Cabo Verde forçou o prolongamento e restabeleceu a igualdade por duas vezes. A resistência africana só caiu devido a um golo infeliz na parte final do tempo extra.
A primeira parte terminou igualada (1-1): Messi inaugurou o marcador aos 29 minutos. Cabo Verde respondeu na segunda parte com empate de um golo de Deroy Duarte aos 59 minutos.
No prolongamento, Lisandro Martínez fez o 2-1 logo aos 92 minutos. Os cabo-verdianos voltaram a empatar por Sidny Lopes Cabral aos 103 minutos. O triunfo argentino foi selado aos 111 minutos com um auto-golo do defesa Diney Borges.
Resumindo os Tubarões Azuis caíram de pé no Mundial das Américas, e prestigiaram o nome do país, levando muito boa gente ao mapa para ver a sua localização geográfica. Excelente prestação.
António Panzo

