30 de Outubro, 2026
Luanda, Angola
Destaque Política

Africell e Huawei tornam Angola palco da disputa tecnológica entre EUA e China 

Angola poderá assumir um papel central na nova disputa tecnológica entre os Estados Unidos e a China pela conquista de novos mercados africanos, com Washington a injectar 100 milhões de dólares na operadora norte-americana de telecomunicações, a Africell. 

A medida se insere numa nova forma de actuação da administração  Trump adoptou uma estratégia explícita de reforço da liderança tecnológica dos EUA, ao combinar três objectivos estratégicos, que passam pela protecção da tecnologia americana, a expansão e a utilização dessa tecnologia no exterior e a limitação da capacidade da China de ganhar posições em sectores tecnológicos críticos. 

A disputa acontece num momento em que Angola mantém relações económicas e políticas profundas com a China, que durante anos desempenhou um papel central na construção de infra-estruturas e no financiamento de grandes projectos nacionais. 

A presença chinesa estende-se também ao sector tecnológico, onde empresas como a Huawei conquistaram espaço em vários mercados africanos. 

Enquanto isso, a  Africell, propriedade do cidadão norte-americano de origem libanesa, Ziad Dalloul, torna-se, neste contexto, uma peça importante da estratégia norte-americana. 

Com operações em Angola, Gâmbia, Serra Leoa e República Democrática do Congo, a operadora oferece a Washington uma plataforma para ampliar a utilização de tecnologia norte-americana nas redes de telecomunicações africanas.

É de recordar que em Angola, a maior companhia de telefonia móvel a Unitel, trabalha em estreita colaboração com a chinesa Huawei, que fornece serviços tecnológicos à Unitel. 

Para Angola, a crescente competição entre Washington e Pequim pode representar uma oportunidade para atrair mais investimento e acelerar a modernização das suas infra-estruturas digitais. Mas ao mesmo tempo coloca também Luanda perante um dilema estratégico: como aproveitar a concorrência entre as grandes potências sem ficar excessivamente dependente de nenhuma delas.

O movimento norte-americano em torno da Africell mostra que a disputa pela influência em África está a mudar de terreno. Depois do petróleo, das infra-estruturas, das matérias-primas críticas e das finanças, as telecomunicações e o controlo das tecnologias digitais estão a tornar-se uma nova frente da competição entre os EUA e a China. 

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