As refinarias privadas chinesas estão a aumentar as compras de crude angolano, devido ao agravamento do conflito entre os Estados Unidos e o Irão no Médio Oriente, que está a afectar o transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz.
Segundo dados citados pela Reuters, as refinarias chinesas adquiriram recentemente pelo menos um carregamento de crude Plutónio oriundo de Angola e dois carregamentos de crude Djeno, da República Democrática do Congo.
A Reuters avança ainda que a guerra entre norte-americanos e iranianos acabou por provocar escassez do óleol negro em alguns mercados, particularmente, na Ásia e Europa, forçando as refinarias locais a recorrer a fornecedores da África Ocidental, do Canadá e da América do Sul, em busca de alternativas ao petróleo que se tornou mais difícil de obter devido à instabilidade no Médio Oriente.
As aquisições realizadas por refinarias privadas chinesas nas últimas semanas, já ultrapassam os 20 milhões de barris, considerando o conjunto dos fornecedores identificados, à medida que as refinarias procuram substituir volumes que deixaram de estar disponíveis nos mercados tradicionais.
A procura chinesa ocorre num momento de grande perturbação do mercado petrolífero internacional. Os ataques no Golfo e as restrições à circulação de navios no Estreito de Ormuz reduziram os fluxos do produto provenientes da região do Médio Oriente, obrigando os compradores asiáticos a procurar fornecedores alternativos.
Para as refinarias chinesas, conhecidas como “teapots”, Angola surge como uma das alternativas disponíveis no Atlântico. O crude Plutónio, produzido no desenvolvimento “Greater Plutonio”, no Bloco 18, tem sido procurado por comerciantes que desejam substituir grades de petróleo que se tornaram escassas no mercado.
A Reuters refere ainda que alguns tipos de crude africano estão a ser negociados com prémios elevados, enquanto o Brent ultrapassou os 100 dólares por barril perante o conflito militar.
Alguns analistas acrteditam que o movimento representa uma oportunidade conjuntural para os produtores africanos, incluindo Angola, mas não significa necessariamente um aumento sustentado da procura chinesa por petróleo angolano.
Dados recentes mostram, por outro lado, que a procura global de petróleo da China deverá diminuir em 2026, segundo uma análise do Sinopec Research Institute, embora as compras tenham recuperado perante as perturbações provocadas pela guerra entre os EUA e o Irão.
Para Angola, que continua fortemente dependente das exportações de petróleo, a alteração temporária dos fluxos comerciais reforça a importância do mercado chinês. A China já é o principal destino do crude angolano, representando uma parcela dominante das exportações do país para o mercado chinês.

