31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Sociedade

Brasileiro detido em Angola após denunciar alegado esquema criminoso

O empresário brasileiro Hermelindo Henrique, de 36 anos, encontra-se detido em Angola após ter denunciado às autoridades um alegado esquema criminoso que, segundo afirma, descobriu pouco tempo depois de chegar ao País.

De acordo com Henriques, a viagem a Angola aconteceu depois de ter recebido uma oferta de trabalho, que, infelizmente, não correu como prometido. Segundo o empresário, a sua prisão aconteceu depois de denunciar um alegado plano de ataques informáticos contra instituições bancárias.

Natural de São Paulo, no Brasil, e proprietário de uma loja de telemóveis, Hermelindo aceitou uma proposta de trabalho apresentada por um cliente angolano. O contrato previa a prestação de apoio informático numa universidade em Luanda, auxiliando estudantes e docentes na programação de sistemas.

De acordo com pessoas próximas do empresário, os contratantes suportaram todas as despesas da deslocação, incluindo a emissão do passaporte, restante documentação e passagens aéreas. À chegada a Luanda, Hermelindo chegou a partilhar fotografias com familiares, demonstrando entusiasmo com o novo desafio profissional.

Contudo, poucos dias depois, a situação alterou-se. Segundo o empresário, a função prometida nunca existiu. Em vez disso, terá sido instruído a permanecer num apartamento e a participar em actividades que, de acordo com o seu relato, envolviam a invasão de sistemas bancários com o objectivo de desviar dinheiro de instituições financeiras angolanas.

Hermelindo afirma ter recusado integrar o alegado esquema criminoso, passando, desde então, a receber ameaças. Em mensagens enviadas à família, relatou que estava impedido de abandonar o apartamento, vivia sob vigilância permanente e que, em alguns momentos, chegou mesmo a ficar sem alimentação.

Depois de conseguir pedir ajuda, o brasileiro apresentou denúncia às autoridades angolanas, enquanto os familiares alertaram igualmente as autoridades brasileiras. Numa primeira deslocação ao local, a polícia não encontrou indícios de cárcere privado, uma vez que foi o próprio empresário quem abriu a porta do apartamento.

Dias mais tarde, porém, os agentes regressaram ao imóvel e Hermelindo foi conduzido a uma esquadra. Posteriormente, a Justiça angolana decretou a sua prisão preventiva, por suspeitas de envolvimento no mesmo grupo criminoso que o empresário afirma ter denunciado.

As autoridades angolanas continuam a investigar o caso, procurando apurar o eventual envolvimento de Hermelindo Henrique e de outras pessoas no alegado esquema de crimes informáticos.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que acompanha a situação através da Embaixada do Brasil em Luanda. No entanto, esclareceu que não pode interferir nas investigações conduzidas pelas autoridades angolanas nem promover a repatriação de cidadãos brasileiros que se encontrem sob custódia judicial noutro país.

Enquanto decorrem as investigações, a família de Hermelindo aguarda o desenrolar do processo judicial e procura os meios legais necessários para assegurar o seu regresso ao Brasil.

By: Portal Leo Dias

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