1 de Setembro, 2026
Luanda, Angola
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Corredor do Lobito atinge fecho financeiro com financiamento de 753 milhões de dólares

A Africa Finance Corporation (AFC) anunciou o fecho financeiro do projecto ferroviário do Corredor do Lobito, no valor de 753 milhões de dólares. Este marco sucede à assinatura de um acordo de empréstimo, celebrada em Washington, em Dezembro de 2025, e abre caminho à implementação do projecto.

Os fundos destinam-se à reabilitação, modernização e garantia da exploração de longo prazo dos 1.300 quilómetros de via férrea que ligam o Porto do Lobito, em Angola, à fronteira com a República Democrática do Congo (RDC).

O financiamento compreende um empréstimo de 553 milhões de dólares da Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) e um montante adicional de 200 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA). A AFC actuou como co-consultora financeira, ao lado da Eaglestone, que liderou a estruturação e o financiamento do projecto para a Lobito Atlantic Railway (LAR), concessionária do corredor.

A LAR é uma empresa conjunta entre o grupo português de construção Mota-Engil e a comercializadora internacional de matérias-primas Trafigura.

Uma rota de exportação estratégica

Apoiado pelos Estados Unidos, pela União Europeia e por várias instituições financeiras, o Corredor do Lobito deverá afirmar-se como uma das principais rotas de exportação de minerais estratégicos da África Central.

O projecto foi concebido para facilitar a exportação de cobre e cobalto da Zâmbia e da RDC para os mercados internacionais, através do Oceano Atlântico. Prevê-se igualmente que venha a alargar as oportunidades de exportação de produtos agrícolas zambianos, proporcionando um acesso mais competitivo ao Porto do Lobito.

Actualmente, os fluxos de carga dependem fortemente de corredores de transporte alternativos, que implicam percursos mais longos ou enfrentam problemas com o congestionamento. Os exportadores continuam igualmente confrontados com custos logísticos elevados e prazos de trânsito que podem ultrapassar os 20 dias.

Para além da sua importância económica, o Corredor do Lobito reveste-se também de um considerável significado geopolítico. Insere-se na crescente rivalidade entre os Estados Unidos e a China pela influência nas cadeias de abastecimento de minerais críticos em África, essenciais para a transição energética.

Enquanto Washington e os seus parceiros reforçam o investimento ao longo do corredor, Pequim prossegue, em simultâneo, a modernização de outras rotas de transporte regionais, nomeadamente da TAZARA, a linha férrea que liga a Zâmbia ao porto tanzaniano de Dar es Salaam.

A concorrência entre as duas rotas poderá, contudo, afectar a viabilidade comercial do projecto. Num relatório intitulado The Lobito Corridor: Between European Geopolitics and African Agency, o Centro Europeu de Gestão de Políticas de Desenvolvimento (ECDPM) sustenta que as projecções de tráfego assentam em pressupostos optimistas quanto ao crescimento das exportações de cobre e cobalto.

O relatório assinala ainda que o Porto do Lobito movimenta, actualmente, volumes de carga relativamente modestos e destaca a existência de uma ligação rodoviária entre as cidades zambianas de Chingola e Kapiri Mposhi, o que poderá levar a que parte da carga continue a ser transportada por estrada, em detrimento da ferrovia.

Fonte: Ecofin Agency

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