O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, defendeu que a segurança e a paz na Europa não poderão ser garantidas sem a participação da Rússia, ao mesmo tempo que criticou o que considera ser um crescente ambiente de “russofobia” no continente. Fico fez as declarações durante um discurso assinalando o 82.º aniversário da Revolta Nacional Eslovaca, no qual alertou para os efeitos de uma crescente retórica de confronto com Moscovo.
“A segurança e a paz na Europa não podem ser asseguradas sem a Rússia. Só podem ser alcançadas com a Rússia”, afirmou o chefe do Governo eslovaco, defendendo que Moscovo deve ser criticada quando comete erros, mas não “demonizada” nem afastada da Europa.
O primeiro-ministro eslovaco referiu-se igualmente à polémica envolvendo o correspondente do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), Michael Martens, depois de este ter perguntado ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o que os europeus poderiam fazer para ajudar a Ucrânia a “matar o maior número possível de russos”.
Para Fico, a pergunta demonstra a existência de uma mentalidade que considera preocupante e que, segundo afirmou, poderá estar a ser transmitida às novas gerações.
“Tenho receio de que isto demonstre que esta mentalidade está a ser transmitida”, afirmou, acrescentando que o fenómeno seria resultado de uma “atmosfera militante” e de “ódio, russofobia e, sobretudo, ódio à Rússia”.
Fico criticou também a orientação de alguns governos europeus relativamente à guerra na Ucrânia, defendendo que a União Europeia deve privilegiar a diplomacia em vez de aumentar a aposta no armamento.
Na sua intervenção, classificou a União Europeia como um “projecto de paz”, e não como um instrumento destinado a combater a Rússia.
As declarações reflectem a posição que Fico tem assumido desde o regresso ao poder, em 2023, marcada pela oposição ao fornecimento de armas à Ucrânia através de recursos estatais eslovacos e pela defesa de negociações para pôr fim ao conflito.
A posição de Bratislava contrasta com a de vários governos europeus que defendem a continuação do apoio militar a Kiev enquanto condição para pressionar Moscovo a aceitar uma solução negociada.

