Os mercados cambiais de quatro economias africanas apresentaram comportamentos distintos durante a semana, com as moedas da Zâmbia e do Quénia a manterem-se praticamente inalteradas, enquanto o cedi do Gana e o xelim do Uganda deverão registar ligeiras desvalorizações, segundo operadores ouvidos pela agência Reuters.
A perspectiva aponta para condições globalmente estáveis em grande parte dos mercados de câmbio da região, com apenas pressões moderadas sobre algumas divisas, num contexto de procura externa contida e de oferta de divisas que se mantém equilibrada na maior parte dos países.
No Quénia, o xelim tem beneficiado da estabilidade das reservas cambiais e do apoio do Banco Central, que tem intervindo no mercado para suavizar oscilações bruscas. Os operadores antecipam que a moeda se mantenha dentro do intervalo actual, à espera de novos sinais sobre o fluxo de remessas e o desempenho das exportações de chá e café.
Já na Zâmbia, o kwacha continua a reflectir a evolução dos preços do cobre, principal produto de exportação do país. Embora os preços internacionais se tenham mantido relativamente firmes, a procura por divisas por parte das empresas importadoras tem criado alguma tensão, mas sem força suficiente para alterar significativamente a taxa de câmbio.
Em sentido contrário, o cedi ganês deverá enfrentar uma pressão ligeiramente descendente, num movimento que os analistas atribuem à sazonalidade da procura de dólares para pagamento de importações e ao ritmo ainda lento da recuperação das reservas internacionais. O Banco do Gana tem, no entanto, mantido uma postura vigilante, recorrendo a instrumentos de política monetária para conter desvios mais acentuados.
O xelim ugandês, por seu turno, também deverá ceder terreno, ainda que de forma moderada. A pressão sobre a moeda local vem sobretudo do lado da procura por parte de empresas do sector energético e de infra-estruturas, que têm vindo a aumentar as suas necessidades de divisas para financiamento de equipamentos importados.
Os traders consultados sublinham que, no conjunto, não se vislumbram choques externos capazes de provocar movimentos bruscos nos próximos dias, mas recomendam atenção à evolução dos preços das matérias-primas e ao comportamento das moedas fortes, designadamente o dólar norte-americano e o euro, que continuam a ditar o ritmo dos mercados emergentes.
A África Subsariana tem assistido, nos últimos meses, a uma relativa calma cambial, após um período de forte volatilidade induzida pela subida das taxas de juro internacionais e pela fuga de capitais. A presente estabilidade é vista por alguns economistas como um sinal de melhoria na gestão macroeconómica, embora os riscos persistentes, como a dívida externa e a dependência de commodities – continuem a pesar sobre as perspectivas de médio prazo.
As próximas semanas poderão trazer novos desenvolvimentos, com os mercados atentos às decisões de política monetária dos bancos centrais africanos e aos indicadores de inflação, que têm mostrado sinais de abrandamento em várias economias da região.

