31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Actualidade SADC

Ramaphosa trava processo de impeachment nos tribunais e oposição questiona dinheiro de Phala Phala

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, conseguiu travar temporariamente o processo de impeachment que decorre no Parlamento na sequência do escândalo de Phala Phala, depois de o Tribunal Superior do Cabo Ocidental ter concedido, no final de Julho, uma medida cautelar que impede o comité parlamentar da Secção 89 de realizar audições públicas enquanto estiver a ser analisada a contestação apresentada pelo chefe de Estado ao relatório do painel independente. 

A revisão judicial está marcada para os dias 2 a 4 de Setembro. A decisão não encerra o processo de impeachment. O comité parlamentar pode continuar alguns trabalhos preparatórios, mas as audições públicas ficam suspensas até que o tribunal se pronuncie sobre a validade do relatório que considerou existirem elementos que justificam que Ramaphosa responda a alegadas violações constitucionais e legais relacionadas com o caso. 

É neste contexto que o líder parlamentar do African Transformation Movement (ATM), Vuyo Zungula, voltou a levantar dúvidas sobre os cerca de 580 mil dólares encontrados escondidos num sofá da propriedade de Ramaphosa, em Phala Phala. Numa entrevista ao Mail & Guardian, Zungula admitiu a possibilidade de o dinheiro estar destinado ao ANC e às suas campanhas, embora não tenha apresentado provas que sustentem essa alegação.

Zungula questiona ainda a origem dos fundos e defende que Ramaphosa não deveria procurar travar os mecanismos de responsabilização se tivesse actuado dentro da legalidade. O Presidente tem negado qualquer irregularidade e sustentado que o dinheiro estava relacionado com a venda legítima de búfalos.

O futuro do processo de impeachment está agora dependente, em grande medida, da batalha judicial. A decisão do Tribunal Superior em Setembro poderá determinar se o comité parlamentar retoma as audições sobre Phala Phala, mantendo o caso como uma das maiores dores de cabeça políticas de Ramaphosa, enquanto novas acusações da oposição voltam a colocar a origem e o destino do dinheiro encontrado na sua propriedade no centro do debate sul-africano.

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