A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) prevê chuvas abaixo do normal na época chuvosa 2026/2027 em vários países da região, incluindo Angola.
Entre Outubro e Dezembro de 2026, grande parte de Angola deverá registar precipitação inferior à média, à semelhança da Namíbia, Botswana, Zimbabwe, Moçambique, Zâmbia, África do Sul, Eswatini e Lesoto. A tendência de menor precipitação poderá prolongar-se entre Janeiro e Março de 2027, mantendo Angola entre os países mais afectados pelas condições de seca previstas para a região.
A previsão foi apresentada no âmbito do 33.º Fórum Climático Regional da África Austral (SARCOF-33), realizado entre 25 e 28 de Agosto, em Swakopmund, na Namíbia, que reuniu especialistas dos serviços meteorológicos dos Estados-membros da SADC e representantes de sectores como agricultura, segurança alimentar, água, energia, saúde e gestão de riscos de desastres.
Segundo a SADC, um dos principais factores climáticos associados às condições previstas é o desenvolvimento do fenómeno El Niño no Pacífico tropical, que deverá intensificar-se durante a segunda metade de 2026. Episódios fortes de El Niño estão geralmente associados a uma maior probabilidade de precipitação abaixo do normal em extensas áreas da África Austral.
A organização alerta igualmente para a possibilidade de temperaturas acima da média em grande parte da região, aumentando a pressão sobre os recursos hídricos e os sectores dependentes das condições climáticas.
Para Angola, uma época chuvosa mais seca poderá representar riscos para a agricultura, pecuária, disponibilidade de água e segurança alimentar, sobretudo nas zonas do Sul e Sudeste do país, que enfrentam maior vulnerabilidade à variabilidade climática.
A perspectiva regional surge poucas semanas depois de a Cimeira da SADC, realizada em Durban, ter apelado aos Estados-membros para reforçarem a preparação perante os choques climáticos associados ao El Niño, através de sistemas de aviso prévio, medidas de preparação para a seca, expansão da irrigação e adopção de culturas mais resistentes à seca.
A SADC recomenda que governos, agricultores, empresas e outros sectores sensíveis ao clima acompanhem as actualizações meteorológicas ao longo da época chuvosa, uma vez que as previsões sazonais deverão ser complementadas por previsões mensais e de curto prazo dos serviços meteorológicos nacionais.
A perspectiva climática coloca assim Angola perante a necessidade de antecipar os possíveis efeitos de uma época de chuvas mais fracas, num contexto regional em que a SADC procura reforçar os mecanismos de prevenção, aviso prévio e resposta aos riscos climáticos.

