31 de Outubro, 2026
Luanda, Angola
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Manifestantes tomam às ruas na Gâmbia e obrigam Presidente a falar para o país 

Presidente gambiano, Adama Barrow

O Presidente da Gâmbia, Adama Barrow, apelou à calma depois de centenas de pessoas terem saído às ruas de Banjul e de outras localidades na noite de segunda-feira, em protesto contra os prolongados cortes de energia eléctrica que, em algumas zonas, chegaram a durar 48 horas.

Os protestos ganharam uma dimensão violenta em vários pontos da capital e arredores, com manifestantes a queimar pneus, bloquear estradas e a deslocar-se em direcção às instalações da National Water and Electricity Company (NAWEC), a empresa pública responsável pelo fornecimento de electricidade. A polícia utilizou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes na zona de Westfield. Em Farato, foram ainda destruídas faixas do partido governamental, o National People’s Party. 

Durante um discurso transmitido pela televisão, Barrow reconheceu o impacto da crise na população, numa altura em que o país atravessa uma das fases mais quentes do ano. O Presidente afirmou que o Governo está a trabalhar para melhorar o fornecimento de energia e prometeu uma redução dos apagões até ao final de Outubro.

Entre as medidas anunciadas está a entrada em funcionamento, até ao final do próximo mês, de uma nova unidade de produção com capacidade de 24 megawatts na central de Brikama. O Governo anunciou igualmente a construção de uma central solar de 50 megawatts. 

Barrow classificou a crise energética como uma emergência e uma questão de segurança nacional. Na sua intervenção, reconheceu que os cortes estão a afectar directamente a vida das famílias, desde crianças que estudam às escuras até comerciantes que perdem alimentos devido à falta de refrigeração.

A NAWEC atribui parte das dificuldades à redução das importações de electricidade provenientes da rede regional, agravada pela diminuição sazonal das chuvas e por problemas técnicos. A empresa tinha também alertado para um aumento inesperado da procura de electricidade durante o período de maior consumo, associado às elevadas temperaturas. 

A crise ocorre num momento politicamente sensível para o Presidente Adama Barrow, que pretende disputar um terceiro mandato nas eleições presidenciais previstas para Dezembro. Os protestos, que incluíram palavras de ordem como “Barrow deve sair”, aumentam a pressão sobre o Governo a poucos meses do escrutínio.

As autoridades gambianas apelaram à população para evitar actos de violência, enquanto procuram estabilizar o fornecimento de energia. Para muitos cidadãos, no entanto, a promessa de melhoria até Outubro será agora posta à prova pela capacidade do Governo de responder rapidamente a uma crise que se prolonga desde Junho.

Fonte: Reuters

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