A candidatura do Semba, música e dança angolanas, à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade entra numa fase decisiva, com a aproximação da reunião em que a UNESCO deverá apreciar o processo apresentado por Angola.
A candidatura será examinada durante a 21.ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que decorrerá de 30 de Novembro a 5 de Dezembro de 2026, em Xiamen, na China. O Semba consta oficialmente entre os processos do ciclo de 2026 que serão analisados pelo Comité.

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A aproximação da reunião aumenta a importância dos esforços diplomáticos do país para promover a candidatura. A 19 de Setembro, durante a deslocação do ministro da Cultura, Filipe Zau, ao Egipto, Angola solicitou formalmente apoio institucional egípcio à candidatura do Semba.
O pedido foi apresentado durante a assinatura de um Memorando de Entendimento entre Angola e o Egipto para o reforço da cooperação cultural, que prevê, entre outras áreas, iniciativas de formação em arqueologia e museologia.
A UNESCO identifica o processo com o número 2420 e designa a candidatura como “Semba: music and dance in Angola”. O processo foi submetido por Angola para a Lista Representativa, tendo a documentação principal sido publicada pela UNESCO em 29 de Março de 2025.
A inclusão no ciclo de 2026 não significa, contudo, que o Semba já tenha sido reconhecido pela UNESCO. Significa que a candidatura está entre os processos que serão submetidos à apreciação do Comité na reunião de Novembro.
A decisão caberá ao Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, órgão responsável pela análise das candidaturas apresentadas no âmbito da Convenção de 2003.
UNESCO já apoia salvaguarda do Semba
A candidatura à UNESCO não é um processo isolado. Angola beneficia desde 2025 de um projecto apoiado pelo Fundo do Património Cultural Imaterial da UNESCO, especificamente destinado à salvaguarda do Semba.
O projecto, implementado pelo Instituto Nacional do Património Cultural, recebeu 86.050 dólares e decorre entre Março de 2025 e Março de 2027. Entre os seus objectivos estão o reforço da transmissão do Semba entre gerações, a criação de oportunidades de rendimento, a investigação, a sensibilização e a formação de praticantes e agentes culturais.
A própria UNESCO identifica desafios na transmissão do Semba, sobretudo entre sectores da população jovem urbana, e aponta para uma diminuição gradual do número de compositores, músicos, dançarinos e artesãos ligados à produção de instrumentos tradicionais. O projecto pretende responder a essa tendência através de iniciativas de formação, investigação, inventariação e empreendedorismo cultural.
Se a candidatura for aprovada pelo Comité em Xiamen, o Semba passará a integrar a Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

